Se você está procurando uma leitura leve, divertida e que consiga transformar situações bastante comuns da infância e da adolescência em cenas engraçadas, Diário de um Banana é um daqueles livros que chamam atenção justamente pela maneira como contam sua história.
Greg Heffley é quem conduz a narrativa. Logo no início, ele faz questão de deixar claro que aquilo não é exatamente um diário, mas um livro de memórias. A diferença, para ele, é importante — afinal, Greg não pretende ficar registrando seus sentimentos como em um tradicional “Querido diário”. O que ele quer é deixar registradas as situações pelas quais passa, principalmente agora que está no ensino fundamental.
E é aí que a história começa a ganhar graça. Greg observa a escola, os colegas, os professores e a própria família a partir de uma perspectiva bastante particular. Ele está preocupado com a maneira como é visto pelos outros e, ao mesmo tempo, tenta encontrar maneiras de se sair bem nas situações que aparecem pelo caminho.
Uma característica que chama bastante atenção é a combinação entre texto e ilustrações. Os desenhos fazem parte da narrativa e ajudam a construir o jeito de Greg contar suas próprias experiências. Em vários momentos, é justamente essa combinação que torna as situações ainda mais engraçadas.
Outro ponto interessante é que Greg não aparece como um personagem perfeito. Pelo contrário: ele toma decisões questionáveis, pensa bastante em si mesmo e muitas vezes tenta encontrar uma maneira de levar vantagem. Isso faz com que a narrativa seja construída não apenas a partir do que acontece, mas também da maneira como o próprio Greg interpreta os acontecimentos.
A escola ocupa um espaço importante na história, especialmente porque Greg está tentando entender como sobreviver a essa fase e lidar com os colegas. A amizade com Rowley também ganha destaque e ajuda a mostrar algumas das diferenças entre os dois personagens.
Como professor, vejo Diário de um Banana como uma leitura que pode funcionar muito bem para aproximar crianças e adolescentes dos livros, principalmente aqueles leitores que se identificam com histórias ambientadas na escola e com personagens que enfrentam situações do cotidiano. A linguagem acessível, o ritmo rápido e as ilustrações também tornam a leitura bastante convidativa.
Mais do que simplesmente contar as aventuras de um garoto, o livro brinca com a ideia de como cada pessoa enxerga e conta a própria história. Greg registra suas memórias da maneira que considera mais conveniente — e o leitor vai percebendo que nem sempre a versão dele é exatamente a mesma que poderíamos ter sobre os acontecimentos.
Se você ainda não conhece a série, este primeiro volume é uma boa porta de entrada para conhecer Greg Heffley, Rowley e o universo de Diário de um Banana. E, para quem trabalha com leitura na escola, é também um título que pode render boas conversas sobre amizade, convivência, escola, escolhas e diferentes formas de narrar uma história.
KINNEY, Jeff. Diário de um Banana. Edição especial. [S. l.]: Vergara e Riba, 2015. 64 p. ISBN 978-85-7683-393-2.

Nenhum comentário:
Postar um comentário