A última chance - Marcelo Cezar, pelo espírito Marco Aurélio - Única Leitura

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quarta-feira, 14 de outubro de 2026

A última chance - Marcelo Cezar, pelo espírito Marco Aurélio

Alguns livros nos fazem viajar para outra época. Outros nos fazem olhar para a nossa própria sociedade e perceber o quanto ainda temos a aprender. A Última Chance, de Marcelo Cezar, é uma dessas leituras.

O romance, ditado pelo espírito Marco Aurélio, tem como pano de fundo as profundas transformações provocadas pela epidemia de AIDS no Brasil a partir da década de 1980. Mas, apesar de abordar um período marcado pelo medo, pela doença e por muitos preconceitos, a história vai muito além disso: fala principalmente sobre aceitação, amor, identidade, rejeição e a importância de respeitar o outro.

Uma história sobre aprender a se aceitar

Um dos personagens que mais chama a atenção é Roberto, um jovem que desde criança percebe que é diferente dos padrões que seu pai considera aceitáveis. Em uma sociedade ainda fortemente marcada pelo preconceito, ele enfrenta rejeição dentro e fora de casa.

Sua trajetória mostra como o preconceito pode começar dentro da própria família e ser reforçado pela escola, pela vizinhança e pela sociedade. Roberto cresce carregando dúvidas e inseguranças justamente quando deveria encontrar acolhimento e proteção.

É impossível acompanhar sua história sem refletir sobre quantas pessoas já passaram — e ainda passam — por situações semelhantes simplesmente por serem quem são.

Uma viagem aos anos 1970 e 1980

Outro aspecto que gostei bastante no livro é a ambientação. A narrativa passeia por uma época muito característica, com discotecas, novelas, músicas, fitas-cassete e costumes das décadas de 1970 e 1980.

Para quem gosta de histórias ambientadas no passado, esses detalhes ajudam a construir uma atmosfera nostálgica e tornam a leitura ainda mais interessante. O livro inclusive faz referências à novela Dancin' Days e ao fenômeno das discotecas naquele período.

Amor acima dos preconceitos

Apesar dos momentos difíceis, A Última Chance não se apresenta apenas como uma história de sofrimento. O próprio autor explica que a proposta é falar sobre superação, respeito e amor, mostrando que a doença não deve ser encarada como punição divina e que os conceitos relacionados à sexualidade precisam ser revistos.

E talvez seja justamente essa a principal mensagem que fica depois da leitura: ninguém deveria precisar esconder quem é para merecer amor, respeito ou felicidade.

AIDS e os preconceitos de uma época

A epidemia de AIDS é outro elemento fundamental da narrativa. O livro retrata o medo existente naquele período e acompanha personagens que precisam lidar não apenas com a possibilidade da doença, mas também com o enorme estigma associado ao HIV.

A história se passa em um momento em que as informações sobre a doença ainda eram escassas e o medo era muito presente. O próprio autor comenta, na apresentação, como aquela geração vivenciou diretamente o impacto da epidemia.

Por isso, considero interessante ler o livro também como um registro literário de uma época em que desinformação e preconceito muitas vezes eram tão dolorosos quanto a própria doença.

Por que eu indicaria A Última Chance?

Eu indicaria este livro para quem gosta de romances que misturam drama, espiritualidade, romance e questões sociais, principalmente para quem se interessa por histórias ambientadas nas décadas de 1970 e 1980.

É uma leitura que pode despertar sentimentos diferentes: em alguns momentos, indignação diante das situações de preconceito; em outros, tristeza pelas experiências dos personagens; mas também esperança diante da possibilidade de transformação.

Mais do que uma história sobre AIDS ou sobre homossexualidade, A Última Chance é uma história sobre ser humano.

E talvez seja justamente por isso que o título faça tanto sentido: ao longo da vida, todos nós podemos chegar a momentos em que precisamos fazer escolhas, superar nossos medos e encontrar coragem para recomeçar.

Se você gosta de romances espíritas que abordam temas humanos e sociais, com personagens que precisam enfrentar seus próprios conflitos para encontrar um caminho de transformação, vale colocar A Última Chance na sua lista de leituras.

CEZAR, Marcelo. A última chance. Pelo espírito Marco Aurélio.

 

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